Projetos · BIG-S Cyberdeck · Parte 4 (final)

BIG-S Cyberdeck — Parte 4: os softwares — Linux, Python e Arduino

Com o hardware pronto na Parte 3, chegou a hora de dar vida ao BIG-S: o sistema operacional, as interfaces em Python para as placas da Robocore, e os códigos em Arduino IDE que fazem tudo funcionar.

Sistema operacional

O sistema operacional utilizado foi o Raspberry Pi OS, baseado em Linux Debian, rodando direto no Raspberry Pi 5 que é o coração do cyberdeck.

Raspberry Pi OS — downloads oficiais

As interfaces gráficas em Python

Para tornar o dia a dia com as placas da Robocore mais prático — e mais divertido — criei duas interfaces gráficas em Python: uma para a BlackBoard UNO R3 e outra para a BlackBoard Wisdom ESP32.

Painel BlackBoard: controle dos pinos digitais, leitura de entradas analógicas e radar ultrassônico

Painel BlackBoard

Controle dos pinos digitais, leitura de entradas analógicas e radar ultrassônico, tudo em uma interface só.

Painel Wisdom: controle dos LEDs do bargraph, do LED RGB, do display OLED, do servo e do relé da BlackBoard Wisdom

Painel Wisdom

Controle dos LEDs do bargraph, do LED RGB, do display OLED, do servo e do relé da BlackBoard Wisdom.

Reaproveitei um radar que eu já havia mostrado em um workshop de Python e Arduino e, para deixar a brincadeira ainda mais divertida, fixei um servo motor na maleta usando peças do Mamute Conecta.

Os códigos para a IDE Arduino e as interfaces em Python estão publicados no meu GitHub.

github.com/Tio-Rafa-SE
BIG-S Cyberdeck concluído e funcionando: maleta aberta com o Painel BlackBoard rodando o radar ultrassônico na tela, teclado e mouse da Robocore conectados

O resultado

Com o Raspberry Pi OS rodando e as interfaces em Python prontas, o BIG-S Cyberdeck está completo e funcionando: um laboratório portátil de sistemas embarcados com Arduino IDE e Thonny/Python, e em teste também como estúdio de áudio móvel, com uma interface de áudio USB Creative Sound Blaster, Reaper e Audacity.

Nesta foto, o Painel BlackBoard está em ação, com o radar ultrassônico varrendo em tempo real na tela touchscreen, teclado e mouse da Robocore conectados — o cyberdeck pronto para qualquer aula, oficina ou evento.

Toda a trajetória deste projeto está documentada aqui no site, e a playlist completa de vídeos está no YouTube.

Acompanhe a playlist do BIG-S no YouTube

Cyberdeck também é sobrevivência (mesmo sem zumbi nenhum)

Tem um espírito parecido com o de um outro clássico da estante maker: o livro Guia do Maker para o Apocalipse Zumbi: Defenda sua base com circuitos simples, Arduino e Raspberry Pi, de Simon Monk — mas isso é história para a próxima edição.

E se um objeto técnico também tem sua própria história?

Aqui vai uma provocação para quem, como eu, anda estudando um pouco de filosofia da técnica: o pensador francês Gilbert Simondon defendia que os objetos técnicos não são só ferramentas mudas — eles passam por um processo de individuação, de amadurecimento, cada peça ajustando sua função em relação ao conjunto, quase como um organismo vivo se estabilizando. Uma maleta virar cyberdeck, mudando de papel, é quase uma ilustração perfeita dessa ideia: a técnica evolui reorganizando suas próprias partes.

Já o filósofo Yuk Hui, que atualiza esse debate para o século XXI, propõe pensarmos a tecnologia sempre junto de uma cultura e um contexto, o que ele chama de cosmotécnica: não existe uma única forma "certa" de tecnologia, e sim tecnologias que nascem de encontros específicos entre saber, lugar e comunidade. Um cyberdeck maker brasileiro, feito com Arduino, Raspberry Pi, peças de um kit de robótica escolar e uma pitada de Neuromancer, é isso: tecnologia com sotaque próprio.

Fecha a maleta e parte pro próximo projeto

No fim das contas, esse cyberdeck é um lembrete de que projeto maker nunca morre, só se reinventa. O carrinho virou laboratório. A competição virou ferramenta de estudo. E a ficção científica dos anos 80 virou um jeito divertido de explicar por que carregamos Linux, Arduino e ESP32 dentro de uma maleta.

Cyberpunk de verdade não precisa de plugue no cérebro. Precisa só de um Raspberry Pi, um par de dobradiças e muita vontade de continuar aprendendo.

Bora montar o seu?

Agradecimentos

Este projeto não seria possível sem essas parcerias.

Mamute Eletrônica

Pela parceria de longa data, pelas peças do Mamute Conecta e pela maleta do Kit Formula RPS, que ganhou uma segunda vida como o corpo do BIG-S.

mamuteeletronica.com.br

Robocore

Pelas placas e peças que dão vida ao laboratório de sistemas embarcados: UPS HAT, BlackBoard UNO R3 e BlackBoard Wisdom ESP32.

robocore.net

Instituto Newton C. Braga

Por abrir espaço para este e tantos outros projetos ao longo dos anos.

newtoncbraga.com.br

Revista Mecatrônica Jovem

Pela parceria e pelo espaço para contar a história completa do BIG-S.

Ver Revista Mecatrônica Jovem

Bora montar o seu?

Essa foi a jornada completa do BIG-S Cyberdeck: da homenagem ao Serjão até o laboratório portátil pronto para qualquer aula, oficina ou evento. Reveja as outras etapas ou fale comigo sobre o seu próprio projeto.